sexta-feira, 25 de outubro de 2013

GUARDIÕES DA ORDEM (Parte-2)

Vida! Tantos significados e explicações. Mas apenas uma única condição de percepção tangível. Os nossos próprios passos na estrada de nossa existência. Pois independente se isto é real ou não, estamos sempre contemplando um universo.
Os passos que são dados correspondem aos quais temos o controle parcial. Pois, são estes que carregam o nosso “livre arbítrio” e a nossa condição de existência que nos permite interpretar o mundo que nos cerca. O qual se fundamenta no que é melhor para nós, mesmo tendo que afrontar ideais alheios. É neste momento que a ordem se corrompe e a Rede arrebenta em um ponto qualquer, causando consequências onde só o tempo fará nos adaptar, sacrificando vários vetores desta Rede. Seria este o processo da evolução, uma metamorfose constante.
Diante disso, ocorre o fenômeno expressado por um princípio complexo: “se você não vai até seu destino, ele virá até você”, ou seja, somos forçados a escolher um limitado número de caminhos para proteger a Rede, mesmo parecendo que ainda estamos no controle de nossas vidas. A Rede é justa, fria e objetiva, pois, a sua existência muitas vezes, corresponde ao nosso fim.
Não existem meios de burlar esta Ordem. Uns tentam, teorizando invenções como a “máquina do tempo”, mas não raciocinam que não estão voltando no tempo para concertar a Rede, apenas para remendá-la (alterá-la novamente). Que de um jeito ou de outro, a Rede vai reagir da mesma forma, piorando a situação ao invés de trazer o que se buscou “concertar”. A Rede é fria. Eis que é desta forma que ela se torna dona de nossos destinos, e nós se tornamos donos do destino do próximo. É nesse sentido que se criou outra regra: “não faça ao próximo, o que não quer que façam com você”. Ditados populares, observações da mão do destino sobre o homem. Um homem que ajuda tecer a Rede, sem ter consciência de sua colaboração e real importância.  
Mesmo a Rede sendo tecida com supostas “falhas”, ela continua sendo uma Rede perfeita, porém com uma nova complexidade de enlaçamentos. É neste momento, que somos involuntariamente “convocados” a proteger a Rede, tendo como principal objetivo proteger a transcendente ordem que nos regem para salvar a nossa própria existência e o sistema que nos faz sobreviver. Além de buscar novas perspectivas utópicas para tornar nossa caminhada tranquila e serena. É neste contexto, que recebemos o insurgente livre arbítrio de escolher o que deve e quem deve ou não fazer parte da Rede. Tudo para salvar o sistema que convencionamos de vida. Ou seja, motivado pelo princípio transformador do caos, presente em qualquer elemento animado ou não, expressamos, aceitamos e se condicionamos que o sacrifício de alguns, é a necessidade para a sobrevivência de bilhões e de outros seres humanos ou não. Ou melhor, o rompimento com o ponto em que a Rede foi corrompida, é a proteção da própria espécie humana. Porém, nossa intelectualidade ao se artificializar deixou de se fundar na sobrevivência e por efeito desvirtuou o natural, demorado processo e influência dos princípios do caos.
Espécie humana!
Predadora, destrutiva e assassina por natureza e racionalidade, seres que carregam um conceito artificial e extremamente condicionado de bem e mal dentro de si, que os utilizam conforme as suas necessidades, objetivos ou ideologia. Seres com um ciclo de vida curto, mas o suficiente para transformar tudo que tocam em um mundo que logo a vida como condicionadamente se concebe, não poderá mais ser desfrutada. Porque contamina com suas próprias atitudes e artificialidades. 
Mas mesmo assim o “instinto natural” nos incita a nos defender. Pois, somos uma espécie, que está evoluindo e eternamente evoluirá, se nossa existência continuar. A evolução acontece independente de aprendermos com os próprios erros ou se  compreendemos o funcionamento da Ordem que fazemos parte. Mas que se reflete nas nossas vidas, quando os observamos.  No entanto, este processo é lento se comparado com o veloz processo de autodestruição que foi iniciado no momento em que o homem passou a sustentar seus sonhos. Os quais são movidos a valores sociais e pecuniários ao invés de sustentar seus objetivos sob o norte da paz, ordem e sobrevivência vital racional, diminuindo assim o risco de reação mais agressiva e radical da Ordem.
O ser humano que a Ordem defende, somos nós mesmos, que cobramos o que não tentamos ou conseguimos fazer por hipocrisia. Os seres que perseguimos, são os que estão ao nosso lado e alimentado por nossos atos. A Rede que devemos proteger é a mesma que constantemente estamos corrompendo. Porém, poucos são os que chegam a este raciocínio descrito. E quando chegam, observam o mundo sob a luz de um novo horizonte. E deixam de serem seres comuns, pois, descobrem um segredo que não se consegue mais negar e entender. Quando isto ocorre, surge o sentimento de proteger a Ordem, e o recrutado pela Ordem é visto como louco e paranoico. Um perigo para a artificial e hipócrita sociedade.

 Mas como?  Por que é assim? Perguntas e respostas que não aparecem prontas, mas que estão em constante metamorfose. Questões que sabemos as respostas, mas resistimos em reconhecê-las verdadeiras e tão pouco refletir sobre elas. Estas perguntas que passam a serem questionamentos são espontâneas reflexões pessoais que transformam as pessoas aos olhos da sociedade em loucos profanadores de valores. Nesse ponto até com certo merecimento, pois, o protetor da Ordem, é anônimo, sigiloso, prudente, observador e paciente. Saindo dessa linha, o ser, deixa de ser um Guardião e passa a ser um arauto da Ordem. Pois, palavras proferidas por um louco, mesmo rompendo à lógica, sem nexo e carregada de um universo complexo fazem um ser “racional” refletir nos momentos de silêncio. E é esta ação que é vista perigosa no contexto de um interesse.

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