terça-feira, 29 de outubro de 2013

IMORTALIDADE


Uma grande ambição do ser da quinta raça é a imortalidade, no entanto a ciência até o presente momento só obteve êxito em aumentar o período existencial do ciclo vital de um ser humano e consequentemente melhorar a sua qualidade de existência. Esta utópica ambição de imortalidade está estreitamente condicionada ao temor do término do ciclo vital. Mas qual é a gêneses deste temor? Supõe-se ser que se desenvolva do natural temor que se contempla do enigmático ou do impulso espontâneo de auto-preservação que alimenta a sobrevivência, mas que incita o temor da própria extinção.
Místicos, filósofos, cientistas e leigos respondem e criam novos questionamentos. E a cada raio de luz que os iluminam, se aprofundam na racionalização que talvez o temor pelo desaparecimento da essência vital possui como gêneses uma suposta experiência vivida em tempos remotos, preservada na memória atômica já vivenciada e não mais ambicionada. Ou seria, como mais plausível e já destacado, do simples fato de o homem separar-se dos vícios que lhes propiciam tantos prazeres.
Não existem respostas plausíveis. Tudo que se tem, são perguntas que norteiam doutrinas. E que servem para alcançar interesses. Quais interesses? 
Se a criação mais perfeita dos deuses sonha contemplar o horizonte da eternidade, por que este ser insiste em vincular sua existência ao tempo e a marcos, como também em ter como verdade absoluta que a morte é um suposto estágio final?
Porém, se transcendemos a uma suposta realidade antagônica, onde o contrário estivesse acorrendo, em que os seres humanos contemplassem a convicção absoluta de sua vida eterna, ele buscaria sua auto-extinção?
Então se abre uma gama de novos questionamentos: será que o inconsciente interdependente do ser da raça de ferro, já possui essa convicção absoluta de uma suposta vida eterna? Será que as ações humanas destrutivas, frente à Mãe Natureza e que afrontam a si mesmos não são meios condicionados, mas intimamente ocultados de desfrutar o mais rápido possível esse estado imortal? Ou seja, se fala da morte como a aurora de uma nova vital jornada! Mas, morte não é contemplada como fim? Por que é proibido o suicídio e engrandecido o sacrifício?
As doutrinas que deveriam dar norte para as pessoas refletirem sobre o mundo de Tánatos alimentam a esperança em um novo horizonte carregado de interessantes perspectivas. Não explicam a morte, explicam apenas a continuidade da vida. Mas como poderiam explicar? Quantos supostos interesses seriam afrontados?  E quando se questiona isto, se profana os mistérios da morte, ou os interesses que a cerca?    
Qual a minha gênese, para que lugar irei? Questionamento existencial direcionada ou natural, que nasce com a quinta raça? Memória celular de manipulação e ignorância transmitida desde os tempos remotos? Uma constante busca de paciência com os sofrimentos no que tange à morte material pela perspectiva de uma vida “utópica” que venha depois em outro contexto de percepção ou aqui mesmo na realidade cotidiana (ressurreição, reencarnação ou transmigração), seria uma das motivações do interesse de se descobrir e desenvolver a espiritualidade. No mesmo viés, a ciência é um ensaio velado de vencer e domesticar a morte. Já, toda expressão artística é uma motivação do espírito de elevar-se acima do universo de Tánatos.
Existe uma ambição que se envolve no universo interno da única e exclusiva psique humana: a ambição por imortalidade em nosso contexto existencial físico temporal. Nesta perspectiva, o pouco que sabemos sobre o Reino de Tánatos é o suficiente para desencadear a motivação do processo evolutivo da ciência, das artes, das instituições, da economia e da política. Incita o ser duplamente sábio a viver, se relacionar, procriar e arquitetar coisas que lhe “eternizem”. A cessação da vida provê o norte à existência. Eis que insistentemente nos recorda sobre o grande valor que condicionamos no ciclo existencial. A morte é talvez, a maior motivadora da evolução.
No entanto as sombras eternas provocam medo, supostamente seria pelo extremo vínculo que possuímos com os elementos e valores materiais, às quais se desvincularemos para sempre quando cessar nossa vida humana, ou pelo laço de satisfação que desenvolvemos ao próprio ciclo cotidiano vital. No entanto, também existe a possibilidade de um vínculo à nossa persona, a nossa intimidade única e exclusiva que irá se reduzir-se a fragmentos, voltar a ser partículas moleculares, atômicas e sub-atômicas e energias. Dentro de um plausível condicionamento, supostamente o nosso temor possui uma origem em uma nascente ocultada nas profundezas do ser: desconhecemos a verdade do que somos. Porém, existe a perspectiva que após a morte física é que se poderá contemplar um possível desfrute de uma outra vida, mas isto se ela vir a se confirmar.
No entanto, não existe forma plausível conhecida de evidenciar uma possibilidade antagônica. Isto ocorre, porque não se terá uma suposta consciência desta nova condição. Neste sentido a filosofia helênica observou a milênios que desenvolver o temor pela morte e criar ficções sobre um contexto que não se tem certeza sobre a veracidade do que se tem como conhecimento, como também pelo que supostamente não se conhece se concebe justamente porque não conseguimos contemplar a essência simples e real de nada e tão pouco racionalizamos se não é um maravilhoso bem para o ser humano. Como também, pode ser uma extinção da consciência, um estado de sono ausente de sonhos que a princípio não carrega nenhum mal doloroso que se supunha, ou, poderia ser, uma jornada da alma que emigra para o Reino de Hades ou viver nos Campos Elísios.
 No que tange esta perspectiva, a de contemplar que conhecer o mundo de Tánatos não seja uma condição ou estado ruim. A partir disto se questiona a possibilidade onde contemplar o ciclo vital se contextualizaria em nossa “penalização”? Aceitar o ciclo vital humano torna-se uma relação de antecedência entre fatos ou proposições sob diversificadas manifestações de sofrimento e uma procura que não possui limites pela felicidade. Pois, é da natureza dos homens da raça de ferro. Neste contexto, contemplar a existência se condiciona complexamente a morrer em proporções insignificantes no passar do tempo diário, num estado que o fenômeno fatal que se contempla em um grande propileus, ao qual denominamos “momento terminal”, sendo este uma condição simples que se configura no estágio final do processo de morte. Deveríamos dentro desta suposição, criar temores no que tange o ato viver e não da morte. 

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