segunda-feira, 28 de outubro de 2013

VIDA e MORTE


O homo sapiens sapiens vive de seus sonhos e morre por eles. Um poeta explica a morte sentimental e a morte da alma. Mesmo de um corpo físico que ainda esteja em pleno funcionamento vital. Para um poeta uma pessoa morre e renasce tantas vezes quanto uma Fênix, e nas mais variadas situações. Mas a poesia nada mais é que um pensamento disperso, sobre o que não se prova ou que se toca. Nessa visão metafórica, muitos já morreram e viveram. Porém, esta complexa noção de morte e vida que deveria ser um devaneio fictício se torna o mais próximo da compreensão que temos de vida e morte. Mesmo sendo incoerente e sem nexo, esta artificialidade humana se transmite sem direção e contexto.
Uma gama complexa de definições que envolvem as diversas perspectivas que tentam explicar o universo da morte, muitas vezes contradiz a sua própria linha de raciocínio a ponto de se confundirem quando visto sob o foco das explicações filosóficas e de outras considerações místicas. Isto ocorre, porque não se consegue chegar ao consenso do que é vida. Esta reflexão foi contemplada por uma simples frase oriunda da sabedoria chinesa a mais de dois milênios passados ao observar que “quando não se compreende sequer a vida, como se pode compreender a morte?” Porém, a de ressaltar que esta consideração também pode estar equivocada.
Os intermináveis devaneios da filosofia e das crendices religiosas tornaram complexos e sem nexo os caminhos que levam até uma contemplação plausível da morte e da vida. Quando dentro de uma suposta realidade a vida se condicionaria a ser interpretada apenas sob o âmbito do que vemos, sentimos e fazemos. E dentro deste contexto chega-se a uma plausível conclusão lógica, ou seja, a vida é um fenômeno cíclico involuntário, que se inicia na concepção, nascimento, desenvolvimento, reprodução, transmissão de conhecimento e a morte. Tudo compreendido como um ciclo natural e na interdependência dos seres com a vida e com os elementos que dão provimento ao ciclo existencial.
Partindo dessa racionalização superficial, mas objetiva no que tange a luz do micro universo leigo de definição de vida, se entende como morte o fim do ciclo vital.
No entanto, devemos observar que somos seres da “raça de ferro”, e sendo assim, na jornada do interdependente ciclo vital, o homem duplamente sábio é norteado e influenciado por filosofias e doutrinas místicas, que além de condicionarem um providencial conceito de vida e morte, ainda definem regras de como estas deverão acontecer. Como se isto fosse possível, já que existe um suposto padrão artificial de interesses que se contradiz com o padrão que é observado na Natureza. Mas que de certa forma, pode possuir uma discutível, mas válida a intenção do controle da Ordem por meio de regras norteadora do ciclo da vida e uma nova existência após a morte, contemplando uma nova perspectiva.
Mas é válida tal explicação sobre a morte?
Até o presente momento ninguém comprovou o retorno de um ex-vivo que contou como é depois da morte. Apesar de existirem doutrinas místicas que fundamentam suas filosofias neste suposto acontecimento. Porém, quantos de nós damos credibilidade a estas doutrinas místicas, a ponto de pelo menos conhecer os seus fundamentos para refletir sobre eles e consequentemente aumentar nosso conhecimento e colaborar com a nossa condicionada racionalidade de evolução em busca da paz real e não da doutrinaria?
Diante deste exposto fica difícil chegar a uma plausível definição sobre a morte e sua relação com a vida (essência), já que o contexto que concebe estes dois fenômenos está intimamente ligado aos conceitos condicionados e instintivos que forjam os pensamentos de todos os “filhos de Adão”. Pois, todos reconhecem o padrão notório em que se contextualiza o que é morte e vida, mas não conseguem explicá-los quando relacionados a elementos de contexto místico, que tanta influência possui sobre nós. Seja direta ou indiretamente.
A partir disso se tece uma observação mais ampla sobre esta complexa questão, o qual nos reverte às teorias místicas, científicas e filosóficas. No tocante a este contexto é notório que nesses dias atuais que a essência vital eterna é a luz norteadora que guiam inúmeras e diferenciadas crenças religiosas como um fundamento basilar, glorificada como um mundo apartado, mas paralelo da realidade física.

Já a bárbara civilização ocidental, materialista por condicionamento se forjou na racionalização cristã de que as jornadas prazerosas contemplam um fim certo, mas indefinido, com o advento da assustadora morte. Neste contexto, a dama que carrega uma foice é deslumbrada como um tabu, um mau agouro que não se deve comentar como algo simples que é, ou explorar seus mistérios. Porém, poucos são aqueles que racionalizam de forma clara e descondicionada. No qual, o Reino de Tánatos é dentro de uma análise superficial a única convicção que se possui na contemplação do ciclo vital. Já que a morte é o fim do ciclo vital. E não um acontecimento profano.

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