sábado, 30 de novembro de 2013

GÊNESES


Acordo de um longo sono. Onde sonhava que estava na realidade. Mas que por algum motivo relacionado ao mecanismo de funcionamento da consciência, desconfiei que era um sonho.
Mas algo estranho ocorreu, parecia que o sonho continuava, e tudo que julgava ser realidade, não passava de uma mera artificialidade. Então caminhei, por um caminho, que era a mesma estrada de meus pares, mas que não parecia ser a mesma que eles estavam olhando. Tentei ver e caminhar como eles. Pois, achei estar louco.
Eram tempos de transição. Mas todo momento é uma transição. Mas naqueles tempos, pouco sabia da vida, teorias me condicionavam, a sociedade repassava-me valores. Eu era um jovem, mais um jovem que ascendia na sociedade, como a futura geração que conservaria a manutenção do mundo.
Por algum motivo que eu não sei explicar, mas que gostaria de achar respostas concretas, para me libertar destes passos subversivos. Sempre racionalizei diferente o que eu via. Um dia me falaram que era normal, pois, todos questionam em algum lugar do seu intimo a realidade que as cercam. Porém, são poucos os que compartilham esta reflexão. No entanto, os que compartilham sua maneira de ver o mundo, ou se tornaram filósofos, poetas, artistas..., ou foram presos, condenados aos tratamentos psiquiátricos ou simplesmente se tornaram uma grande piada na sociedade. Já no passado, alguns foram queimados e torturados em praça pública, sobre o som de aplausos!
Então conclui que não era normal pensar diferente, querer ver o mundo pregado pelas doutrinas religiosas e pelas teorias filosóficas. Mas estes pensamentos, eram de um jovem, cheio de ideais e sonhos.
Diante das minhas condições, deixei de sonhar com utopias, e convivi com a realidade, por algumas décadas. No entanto, apenas convivi, a aceitei, porque é assim que eu pensava que deveria ser, se eu quisesse sobreviver dentro de uma “normalidade”. Porém, algo me tocava. Algo que se escondia atrás dos muros, dos valores, tradições e comportamentos dos homens.
Foi no trigésimo primeiro inverno, que rompi um propileus, e resolvi explorá-lo.  Descobri, que as pessoas verem e escutam, o que o condicionamento delas necessitam. Ou seja, aceitam o que lhe fornece prazeres, uma pax. Porém, tudo dentro de um universo antagônico, que encarcera o ser, em seu próprio meio, criando um minúsculo mundo, limitado a outros pequenos mundos. Nada além disso. Observei, que a percepção da realidade esta no processo de comunicação, que só é possível ser percebida sob a luz de vários horizontes. Ou seja, quanto mais experiências de vida, maior é o campo de visão do ser. Porém, estas experiências, não se vinculam a um pequeno mundo, mas devem ser experimentadas no contexto de outros e diversos mundos. Pois, se a pessoa quer alcançar a universalidade, ela deve explorar outros mundos, além do seu. Eis que o Universo é formado por incontáveis galáxias, não só pelo Planeta Terra e seus vizinho do Sistema!
Mas rompendo a metáfora, a viagem, não precisa ser fora da realidade física. Basta apenas, quebrar a rotina cotidiana, visitar mundos próximos ao seu, mas que por condicionamento, via os longe. Porém, o grande desafio, é visitar mundos, (não se envolver fisicamente com ele), que são condicionados no intimo de cada um, como moralmente ou ideologicamente proibidos, não ilegais.
Mas existe um probleminha real e absoluto. Ou o condicionamento ganha novas ramificações, ou você irá ver a realidade sob uma nova perspectiva. Que na verdade, é uma manifestação só. Porém, que abre este questionamento. Será que eu estou sofrendo um novo tipo de condicionamento, que o é, ou estou vendo o que ninguém quer ver?
Paranóia, uma suposta doença identificada pela Psicologia. É esta a maldição. Ganha-se sabedoria, mas paga o preço de saber, que não existe certeza de nada. Que tudo, pode ser uma grande farsa, que será sempre explorada por alguém. Que a propósito, não é um conspirador. E nem vários. Mas oportunistas, que aprenderam os segredos do pensamento paranóico, e dele tiraram proveito para defender seus interesses. Que não são o superficial de dominar o mundo, mas de criar um mundo que os satisfaçam seus ideais de convivência.
Quem entrou por este propileus, jamais sai o mesmo. Pois, tudo que foi deslumbrado, afeta a consciência, como se fosse um encanto mágico. Não possui um momento especifico para se manifestar. Mas quando se manifesta, nem o percebe. Porém, quando se é detectado uma primaria manifestação, geralmente é observada por alguém. Esta manifestação então rompe sua penúltima barreira, que é o seu reconhecimento. A última barreira, geralmente é a mais resistente, porém, quando rompida, fica escancarada, e se não controlada, destrói a vida de quem carrega esta maldição.
Quem, pertence a este mundo, vai desdizer o que disse antes. Não vai ter mais uma opinião formada sobre tudo. Já que, que tudo, esta em movimento e em constante transformação. E isto se reflete no pensamento, que molda a realidade humana e vice-versa.
Não existem valores, absolutos, e sim princípios, que se adaptam e fundamentam o que molda o ser, e altera o horizonte a ser contemplado.
Tudo que foi redigido, um dia foi renegado. E o que foi renegado, renasceu. Pois, encontra sempre um interesse que o recepciona. Porém, o destorce e o adapta a ser uma ferramenta condicionante.
Eu fui a fonte. Porém, como esta fonte foi condicionada? Por que ao invés de ser e viver, vive e é um hipócrita, mas luta contra isto? Existem mundos a serem explorados! E pensamentos a serem renovados. Mas por que disso? Talvez um dia eu descubra, mas pelos olhos de quem? Tudo é mistério, tudo é condicionamento. Mas nada é real. São metáforas, que respondem metáforas. São contradições aceitáveis, que recebem outra denominação e entendimento.

Esta é a gêneses. Parece não existir um começo ou este começo ainda é superficial. Mas  você,  se aventurou até aqui, e agora você esta marcado. Foi a única coisa que descobri. As outras se encobrem no que não se consegue explicar, por meio terráqueo  algum. Este é a Gênesis  do Livro Proibido. Ou melhor, do pensamento proibido.    

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