domingo, 8 de dezembro de 2013

ENSINAR


Já faz algum tempo, que venho percebendo, que estou mais apreendendo do que ensinando. Não encontrei uma resposta plausível, para me satisfazer no que tange se este fato é bom ou ruim. Mas dentro de uma idéia de equilíbrio, imagino que involuntariamente sempre estou ensinando. Porém, não percebo isto, porque não me atento ao fato que um outro ser que me observa, aprende algo com que falo, faço ou escrevo, (algo que lhe chama atenção por algum motivo intimo a ele), mas não no contexto de minha intenção de ensinar, mas sim, pela interpretação que ele desenvolve e relaciona a um interesse que provavelmente vai servir para lhe satisfazer no contexto que visa aplicar.
Cheguei a esta superficial conclusão, porque, se eu apreendo com o que os outros falam, escrevem ou fazem apenas os observando, mesmo estes não tendo intenção nenhuma de ensinar. Então imagino, que os outros seres também possuem esta faculdade mental de proceder assim também.
A partir disto, racionalizei a seguinte condição: o ser humano quando nasce, se apresenta desprovido de valores, consciência do que é certo ou errado, de racismo, de ações cancerígenas, ou seja, não possui estes conhecimentos. Então conclui, se o homem se torna uma anomalia, propaga o câncer que corrompe a sociedade sem perceber,..., é porque aprendeu isto em algum lugar. Se o ser da quinta raça aprendeu o que é condicionado como mal, é sinal que ele pode aprender o que é condicionado como bem, basta ensiná-lo ele ainda em seu período de preenchimento de conhecimentos primordiais. Resumindo, se o ser humano aprendeu o mau e o pratica, por que não apreender o bem e praticá-lo. Porém, descobri, que este meu raciocínio já tinha sido expressado por Nelson Mandela, mas não com estas palavras, mas com este sentido.  
Diante deste fato, fico preocupado se meus atos estão ensinando coisas que sirvam para o bem comum. Pois, temo que certos seres, apreendam com o meu lado imperfeito. Mas fico aliviado, se meu lado imperfeito, se tornar um aviso e criar consciência nas pessoas, a ponto, delas não desenvolverem tal imperfeição, ou corrigirem a imperfeição se caso esta estiver e for percebida se manifestando na nelas. É por este motivo, que iniciei este propileus, com a observação que estou mais apreendendo, do que ensinando.          
Porém, minha preocupação também se estende ao fato que o ser humano vive nesses tempos presentes, em que a transmissão de conhecimentos excedem o simples ato de ensinar e apreender voluntariamente. Eis, que o fluxo de informações carregado pelos meios de comunicações contemporâneos, não se prendem mais as formalidades acadêmicas, a fronteiras territoriais, as imagens e sons especificamente, como também não é estática e tão pouco depende da vontade do ser em assimilar ou não tantas informações. Eis, que involuntariamente elas preenchem o ser, os forjando inconscientemente, para um dia este conhecimento despertar.
Um dos meios de comunicações que mais propaga conhecimento e condicionamento é a Televisão. Pois, os filmes, novelas, programas de auditórios, documentários, telejornais, reality shows, clips musicais e outras manifestações televisivas possuem a capacidade de apresentar aos telespectadores condicionamentos de valores morais e éticos, comportamentos e conhecimentos, simplesmente através da ficção e de estórias encenadas em filmes e novelas. Possui a capacidade de direcionar a opinião de uma população simplesmente opinando ou criticando um fato em programas jornalísticos, documentários, novelas, minisséries, programas humorísticos,...
Ou seja, não existe uma sala de aula aos moldes tradicionais, tão pouco metodologias de ensino. Não se procede uma introdução para informar que abordagem será feita, como, fundamentação e principalmente que irá se transmitir um conhecimento sobre um assunto específico. Simplesmente se criam estórias, que se adaptam-se as informações que se pretende propagar no contexto desta estória (sempre tangido por um ponto de vista), e posteriormente repassa isto através de recursos áudio-visual e efeitos especiais para o telespectador.
Estas estórias sempre se fundamentam em uma conduta especifica de seus personagens, para justamente criar um laço de identidade com o telespectador (se cria um esterotipo de um ser correto na perspectiva social, um herói, um vilão,...), desenvolvem-se    cenários fictícios com elementos reais, falas (diálogos que mexa com o lado sentimental). Independente disto ser ou não interesse de alguém, esta estória e apresentação dela, ainda irá receber a influência indireta da opinião de seu idealizador. Diante disso, pode ocorrer, que nem sempre a linha de raciocínio de quem escreve um filme, novela,... esteja dentro de um raciocínio altamente reflexivo e consciente das interpretações e influencias que aquelas ideias fictícias podem ocasionar em quem as recepciona. Porém, passam despercebidas, pois, o fim, irá justificar os meios no contexto da analise leiga e superficial.
O mesmo ocorre pelas transmissões de radio difusão, que propagam musicas e opiniões diversas de conduta moral, cívica, ética, moda,... ou seja, são poucos os que param para analisar o conteúdo de uma letra de musica, pois, são encantado pela melodia. Aparentemente inofensivas, as musicas possuem a capacidade imensa de forjar um ser indiretamente, sem a necessidade de voluntariedade de assimilar o que a letra propaga. Tanto é, que nos regimes políticos onde existiram censura, a musica era um dos alvos de proibições, quando carregavam um conteúdo subversivo.
O mesmo ocorre com as opiniões, muitos radialistas exploram os problemas sociais, para colher frutos em suas campanhas eleitorais. Porém, estes, não percebem, que estão criando condutas indiretamente, que será forjada na passividade, cegueira dos próprios erros e na dependência de um constante “herói” (um salvador e justiceiro que atenda as “necessidades” do povo).  
A arte, a rede de informações mundial de computadores interligados (internet), também colaboram com uma gama de informações capaz de transmutar quem se envolve demasiadamente a estas manifestações. Pois do mesmo jeito que elas colaboram com o desenvolvimento do ser, elas também os cegam.
Ou seja, inconscientemente o ser humano anda aprendendo muita coisa, porém, quase sempre aprende o que não buscou saber, apenas aprende indiretamente e as pratica involuntariamente sem se quer saber como aprendeu aquele condicionamento (palavras, expressões, comportamento, ponto de vista,...) que pratica. Apenas apareceu no ser!
Não raro é ver crianças vestidas de heróis, brincando de policia e bandido,... imitando a conduta de um personagem que observou na tela da televisão. Isto ocorre porque eles aprenderam a agir involuntariamente assim. Não foi com o pai, mãe, parente, mas sim involuntariamente assistindo televisão, e imitando a conduta que julgou ser correta, baseada nos valores que inconscientemente já possui. Ou seja, independente de idade, o ser humano forja a sua personalidade baseada na imagem que recebe e cria da conduta de um outro ser, que é valorado como ídolo.
O ídolo geralmente pode ser um personagem fictício que chama a atenção por seus dons, seja no contexto que compreende os padrões de bem ou mal, ele influencia as pessoas a o imitarem. No entanto, existem ídolos reais, (pessoas comuns, artistas, cantores, esportistas, anomalias,...) que também influenciam outros seres humanos a se comportarem, vestirem-se como ele, agirem como eles, desenvolver uma vida como eles,.... Ou seja, a influência dos ídolos muita vezes é tão grande que suas palavras e opiniões ganham credibilidade, mesmo estando imperfeitas e contraditórias a própria credibilidade. Isto acarreta uma circunstancia que pode ser explorada para atender diversos interesses. E o pior, é que tem muitos seres que são considerados como ídolos, que possuem consciência desses fatos e tiram proveito deles.
Mas a questão a ser observada aqui, é justamente a capacidade que um ser humano possui de ensinar e aprender, simplesmente utilizando a sua conduta (comportamento), dentro da sociedade. É neste contexto que se verifica relevante o comportamento integro dos profissionais da Educação, policiais, juízes, atletas, políticos, artistas, pessoas “comuns”, ou que se destaque em algum setor que seja visto e admirado pelas futuras gerações.  
Diante desta breve introdução, que se percebe a importância do ato de Ensinar. Independente se é conhecimento ou experiências pessoais. Pois, ele se propaga pela simples conduta do ser, pela maneira dele expor seus ideais, pelos objetivos que possui no contexto de ser útil no mundo, pela forma que se relaciona com o meio em que vive,...
O homem, será sempre o principal propagador de sua evolução, independente de metodologia, já que é da natureza do ser humano apreender para evoluir, mas é de seu instinto natural de sobrevivência, ensinar o seu igual, para proteger a espécie. Neste processo de milênios muitas coisas foram ensinadas, algumas foram esquecidas, outras tiveram o destino de serem descartadas e certos ensinamentos foram ocultados ou desvirtuados por um propósito, que excede a sobrevivência da raça humana.
Conhecer a verdade essencial das coisas que cercam os terráqueos, não deveria ser um sonho ou utopia, mas sim, uma realidade continua e relevante no progresso humano. Porém, o que é ensinado, parece estar corrompido, já que não faz o ser recepcionar uma realidade ampla, mas sim uma realidade especifica e condicionada.
O grande problema é que o homem se condicionou ou foi condicionado a apreender o que lhe interessa ou o que melhor atende o seu intimo interesse. Diante desta condição, ensinar passou a ser um desafio, que começa primeiro com um grande esforço em prender a atenção do ser e posteriormente o fazer compreender o porque e a importância do que lhe vai ser ensinado. No entanto, o ato de apreender não necessita de tanto esforço assim, pois, os ensinamentos são recepcionados indiretamente e involuntariamente, já que são captados pelos sentidos humanos, preenchendo o ser com uma gama enorme de conhecimento. Sendo assim, não se ensina as pessoas, apenas se desperta o que elas já possuem adormecido em seu subconsciente. Se ensina a conhecer e utilizar criativamente estes conhecimentos na pratica cotidiana.
É este ato de despertar o conhecimento, que é um grande desafio. Pois, o conhecimento estático adormecido no ser é extremamente volátil, e com necessidades especiais vinculados a vida de quem os carrega, a tal ponto de ser despertado apenas por uma exclusiva motivação externa, que possui a capacidade de romper uma espécie de bloqueio condicionante, causado por diversos fatores proporcionados por outros conhecimentos e circunstancias sociais. É por este motivo, que os conhecimentos existentes no ser são voláteis.
Como ensinar uma nova visão, a um ser que já foi extremamente corrompido pelos conhecimentos condicionantes de uma sociedade manipulada e controlada por doutrinas, ideologias e filosofias impregnadas indiretamente e até diretamente por este condicionamento. Que estrategicamente servem para dar fundamentação a uma realidade que pode ser alterada por ações simples, mas que por este condicionamento, se tornam ações insignificantes e sem credibilidade para promover uma poderosa radicalização do bem comum?
Qual seria a forma não condicionada de se expressar, utilizando palavras de credibilidade não condicionada ao padrão dos ciclopes contemporâneos, sem possuir a preocupação condicionada de não se preocupar com a recepção que um ensinamento vai receber do ser atingido por eles, a tal ponto, de não contradizer o pensamente de luta contra a manipulação?
Porém, a mais complexa questão de solucionar com a ação de ensinar, é a que diz respeito aos seres que já possuem um conhecimento, estão cientes disto, mas no entanto, não os materializam em forma de ação? Um exemplo cotidiano é de como ensinar uma pessoa que sabe que depois de ingerir bebidas alcoólicas, não se conduz um automóvel, como também este está consciente dos riscos a sua vida, terceiros, a seu bolso e liberdade? Independente de vicio ou não, este conhecimento é quase que universal. Então, como ensinar e convencer uma pessoa a buscar alternativas para evitar este fato?
Ensinar virou um desafio, que deve transcender o condicionamento e ao mesmo tempo explorar no ser os conhecimentos condicionados, para lhe mostrar o seu condicionamento. E a partir daí, lhe mostrar uma nova proposta de ver a vida se desencadear no contexto dos fios da Rede de Gaia. Porém, nunca lhe mostrando aquilo como uma única verdade, mas como uma alternativa a ser deslumbrada no contexto do livre arbítrio.
Mas o outro grande problema é que independente de temos a consciência de nosso condicionamento ou não, ao ensinar repassamos uma nova espécie de condicionamento, que pode ser percebido e possibilitado a ser corrigido, pois é ensinando que também se apreende. Então o que fazer?
A principio, é uma grande satisfação perceber que estamos evoluindo, pois, se conseguimos verificar o nosso condicionamento, é porque evoluímos. E isto é um fato marcante do processo de evolução, já que, só existe evolução, onde existem desafios a superar.
Talvez a missão primordial e extremamente pacifica se não for corrompida com o rompimento do livre arbítrio e a manipulação, praticada e desenvolvida por um Guardião ou um ser humano qualquer, seja a ação de ensinar os caminhos do bem comum essência e a compreensão do bem comum artificializado que sempre estará propício a correção e descondicionado da manipulação.
Ensinar, instruir, demonstrar, ou outro nome que se dê a ação de repassar conhecimentos, será sempre um ato de transmissão do que mantêm vivo a cultura, as ciências, a sua maneira de pensar e evoluir, além de outros elementos que permitem o homem a sobreviver no planeta. Diante disso a ação de ensinar não deve esbarrar em conceitos pedagógicos e perder seu real foco em debates importantes, mas não relevante a ideia principal de como realmente ensinar.
Todo ser humano possui o dom de ensinar, pois o simples agir, se comportar, relacionar, expressar ideias,..., já é uma manifestação espontânea de transmissão de conhecimento. Isto ocorre, porque sempre alguém estará observando e tirando conclusões sobre as ações do seu próximo.
É a partir deste momento que a conduta de um Guardião ou de um ser humano qualquer, já se torna um processo de ensino e aprendizagem. Pois, seu comportamento é seu exemplo, e as observações de seus pares é a sua reflexão em processo de evolução. Se o objetivo é ensinar, então que nossa conduta seja o que se pretende ensinar. Não contraditória ao que se ensina.

Quem apreende esta lição, ensina mais do que se imagina e objetiva. 

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